Eclipse lunar de 28 de agosto de 2026: 93% do disco na sombra
Em 28 de agosto de 2026 a sombra da Terra cobre cerca de 93% do disco lunar. É eclipse parcial, não total: na borda sobra um fio branco. Europa, África, oeste da Ásia e Américas vão ver.
Índice+
Antes do amanhecer de 28 de agosto de 2026, a Lua não fica toda de cobre. A sombra da Terra cobre cerca de 93% do disco: a maior parte apaga para um vermelho acobreado e na borda de cima sobra um fio branco. EclipseWise dá magnitude 0,93. O Instituto Geográfico Nacional e o Observatorio Astronómico Nacional confirmam o mesmo: um dos parciais mais profundos, ainda assim não total. Há fases visíveis na Europa, África, oeste da Ásia e Américas (lá, a noite de 27). Leste da Ásia e Austrália, em grande parte, perdem o evento: é dia.
Para a maior parte dessa zona é uma madrugada só. Na Espanha o mesmo verão fica concentrado de verdade. Em 12 de agosto atravessou o país a faixa de um eclipse solar total: sem filtro não se olhava para o Sol, e a totalidade durou segundos e só numa faixa estreita. Na mesma noite, já com lua nova, o pico das Perseidas caiu entre 04:00 e 06:00 no horário peninsular. Dezesseis dias depois a Lua volta ao centro do quadro, agora a olho nu. Três céus distintos no mesmo território em 16 dias: Sol total, chuva de estrelas e este lunar. Agosto de 2026 aperta assim aqui porque a totalidade solar cruzou a península e as Perseidas caíram na mesma data.
Magnitude 0,93: quase total, e ainda assim parcial.IGN / Observatorio Astronómico Nacional, 28 de agosto de 2026
Em que isso não parece o de março
Em 3 de março de 2026 a Lua entrou inteira na umbra: falou-se em «lua de sangue». 28 de agosto é outro enredo. Parte do disco fica fora da umbra. Visualmente pode ser mais seco do que um total: cobre e uma fresta branca juntos, não um círculo vermelho uniforme. Chamar de blood moon é impreciso. O termo certo é deep partial: parcial fundo.
O solar de 12 de agosto pedia óculos ISO 12312-2 e horizonte oeste livre, porque o Sol se punha durante a totalidade. O lunar é tão seguro quanto uma lua cheia comum: não precisa de filtro nem de binóculo. O preço é outro. No centro e no leste da península, Baleares e Melilla, a Lua se põe antes de a fase parcial acabar. No resto da península, Canárias e Ceuta, o ocaso lunar vem depois do fim dessa fase: dá para ver até a borda.
Não é eclipse «para o planeta inteiro num único plano». No lado diurno o disco não se vê. No noturno, se já está abaixo do horizonte, também não. Só se olha onde a Lua ainda está acima dos telhados.
A que horas olhar
Contatos em UTC (EclipseWise, UT1): a penumbra começa por volta de 01:23, a parcial por volta de 02:33, o máximo por volta de 04:12:52, a parcial termina por volta de 05:52 e a penumbra por volta de 07:02. A parcial dura cerca de 3 horas e 19 minutos.
Na Espanha vale o CEST, UTC+2. IGN e RTVE dão o horário peninsular assim: fase parcial das 04:34 às 07:52, máximo por volta das 06:12. A Lua nasce no dia 27 por volta das 21:01 e se põe no dia 28 por volta das 07:47: por isso o leste fica a dever, o ocaso lunar chega um pouco antes do fim da parcial. Os horários por capital de província estão na ficha do IGN: mapa, ponto, hora oficial.
Não é preciso sair «à meia-noite por via das dúvidas». Vale chegar no início da parcial, achar um horizonte oeste-sudoeste sem prédios e esperar o máximo. A penumbra a olho nu quase não se lê. A cena começa quando a umbra já morde o disco.
Quase total, e a Lua cai da moldura
O conflito desta madrugada é limpo. Depois do Sol total do dia 12, o público espera outro interruptor. Não há. 93% não é totalidade. O fio branco não é erro de previsão: é física. Gama 0,50: a Lua não cruza o centro da sombra. Quem veio buscar a esfera vermelha de março vê outra coisa: um disco apagado com uma fresta viva.
O segundo corte é o horizonte. Em Valência, Barcelona, Maiorca, a Lua se põe com a sombra ainda em cima. O ocaso pisa o eclipse do mesmo jeito que em 12 de agosto o Sol baixo pisou a totalidade no leste. O oeste ganha desta vez: não é preciso viajar até uma faixa, é preciso não dormir e não tapar o horizonte.
Dezesseis dias entre o Sol total e esta Lua não são magia de calendário: são geometria de sizígias. A lua nova do dia 12 deu o eclipse solar e o céu escuro das Perseidas. A lua cheia do dia 28 dá o lunar. Um verão, dois nodos, três jeitos de olhar para cima: com filtro, deitado sem Lua, e de madrugada sem filtro enquanto o disco se esconde.
Que inglês se ouve aqui
Os boletins astronômicos em inglês vivem de pares curtos. Partial lunar eclipse, não total. Umbra é o cone de sombra plena, penumbra a meia-sombra. Magnitude 0.93 diz que fração do diâmetro está na umbra, não «o quão bonito». Moonset é a razão de o leste da Espanha não terminar a fase. Naked eye é o normal para a Lua e o proibido para o Sol do dia 12. Totality, neste texto, é a palavra que falta.
Vale ler o IGN e o EclipseWise no original: tem contato e mapa, não enrolação. O mesmo gesto - ver o fenômeno e o idioma juntos - a gente desmontou no eclipse solar total de 12 de agosto e nas Perseidas. O 3 de março foi total. Esta madrugada não. A diferença total / partial se ouve melhor numa aula com nativo, quando o professor pausa o boletim e pergunta: o disco está inteiro na sombra ou ainda não?
O verão não acaba com «olhem para o céu». Acaba numa hora concreta: 06:12 na Espanha, 93% do disco, fio branco, e uma Lua que no leste já cai atrás dos telhados.
Quer trabalhar esses boletins na aula?
Umbra, moonset e a diferença total / partial com professor nativo. O primeiro encontro é uma aula experimental.
Reservar minha aula grátisVocabulário deste eclipse
Toque no cartão para ver um exemplo de boletim astronômico em inglês.


