Em 21 de agosto um tribunal federal anulou a pausa do Departamento de Estado. Juridicamente não há mais restrição, mas isso não significa carimbo no passaporte na próxima semana.
No dia 21 de janeiro um cônsul podia receber um caso quase perfeito. Emprego nos EUA, patrocinador, extrato bancário sólido, inglês fluente, e mesmo assim uma negativa. Não porque a pessoa viraria carga pública, mas porque em citizenship constava um dos 75 países. O resultado já estava decidido antes da entrevista.
Assim se viu por sete meses o processo de immigrant visa nos EUA para cidadãos do Brasil, Haiti, Guatemala, Egito e dezenas de outros países. O Departamento de Estado chamou isso de proteção contra quem «dependeria de benefícios públicos». Em 21 de agosto de 2026 a juíza Jeannette Vargas, em Manhattan, definiu de outro jeito: a política é «patentemente ilegal» e o secretário Marco Rubio extrapolou suas atribuições. Reportam Reuters, CNN e DW.
Em 14 de janeiro o Departamento de Estado anunciou, e desde 21 de janeiro ativou, uma pausa: não emitir immigrant visa a cidadãos de 75 países. Formalmente não era o carimbo turístico nem a F-1 de estudante. Immigrant visa é o caminho para residência permanente: família, trabalho, algumas linhas humanitárias. Depois vem a green card, não «três semanas em Nova York».
O motivo oficial foi public charge: quem com alta probabilidade usaria benefícios sociais. Na diretiva de serviço de Rubio os consulados vincularam a lista à ideia de que nos EUA mais de 30% dos domicílios de origem recebem algum tipo de ajuda. Daí a etiqueta «alto risco» e a pausa para cerca de 40% dos países do mundo.
Na lista que o tribunal incorporou constam Brasil, Colômbia, Haiti, Guatemala, Egito, Tailândia, Rússia e Belarus, além de Armênia, Azerbaijão, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Moldávia e Uzbequistão. A Ucrânia não está. Vale não generalizar «todo o bloco ex-soviético»: a medida responde a uma lista específica, não a uma região inteira.
O mais duro saiu da mesma diretiva. O oficial devia olhar o caso, mas mesmo se o solicitante «apresentou provas adicionais de que supera a negativa por public charge», tinha que negar se a nacionalidade estava na lista. Vargas resumiu: o resultado está predeterminado. O visto será recusado.
Não era um fluxo abstrato. Entre os demandantes há americanos que já patrocinaram familiares em Gana, Jamaica, Guatemala e Etiópia, e colombianos com petições de trabalho. Um recebeu negativa onde figurava explicitamente esta política. Enquanto o processo avançava, famílias passaram meses em limbo esperando qualquer data.
O caso CLINIC v. Rubio. Demandantes: Catholic Legal Immigration Network (CLINIC), African Communities Together e pessoas travadas pela pausa. Em 21 de agosto Vargas, juíza do Distrito Sul de Nova York, anulou a política por completo, não só para quem litigava.
A decisão se apoia em dois argumentos. Primeiro: a lei de 1965 proíbe discriminar por nacionalidade e lugar de nascimento ao emitir immigrant visa. A pausa era uma negativa «pelo passaporte». Segundo: o caso concreto é decidido pelo oficial consular, não pelo secretário. Rubio, segundo o tribunal, substituiu essa análise por um «não» pronto.
«Uma política que proíbe categoricamente emitir vistos de imigração pela nacionalidade do solicitante é uma anulação direta desse esquema legal».Jeannette Vargas, Distrito Sul de Nova York, 21 de agosto de 2026
Reuters cita outra fórmula do juiz: a política é «patentemente ilegal». Sob a Lei de Procedimento Administrativo (APA) o tribunal anulou a ordem como ato ilegal da administração, não como um «conselho de suavizar».
Além disso ordenou: cancelar negativas sustentadas só nesta política e devolvê-las à análise. Se o oficial encontrou outra base legal, a negativa permanece. Ninguém conta quantos casos serão revisados: as partes têm até 11 de setembro para propor como fechar o resto do litígio. A administração pode recorrer. Não é o fim do conflito. É a diretiva anulada pelo tribunal.
O tribunal separou isso do travel ban do primeiro mandato de Trump. Então a Suprema Corte falou do poder presidencial de admitir ou não no território. Aqui a pergunta é outra: pode negar immigrant visa a quem cumpre a lei só por «nacionalidade errada»? Vargas respondeu: não.
Na semana seguinte à decisão os consulados não começam a carimbar passaportes de um dia para o outro. O tribunal anulou a política de janeiro como ato administrativo. Juridicamente não há ordem de «não emitir a cidadãos de 75 países». Na prática os cônsules seguem diretivas internas do Departamento de Estado. Até que uma nova instrução desça ao sistema, o oficial na entrevista pode ver o regulamento antigo.
VisaVerge no dia da decisão descreveu o efeito jurídico: consulados devem voltar a agendamentos e análise individual. É interpretação da sentença, não reportagem da janela do consulado. A mesma nota avisa: confira o site do seu consulado. Naquela noite o Departamento de Justiça não confirmou se pediria suspensão da execução (stay).
No sábado 22 de agosto o Departamento de Estado disse à Associated Press que a administração «protege o povo americano mantendo os padrões mais altos de vetting» e declinou comentar o litígio. Para 23 de agosto não havia comunicado de «emissão retomada» nem confirmação de que consulados já carimbavam vistos para cidadãos da lista de 75.
Na sentença aparece outra data: 11 de setembro. Não é «até o outono não há vistos». É o prazo para que as partes digam ao juiz o que fazer com os pedidos restantes. A política em si já foi anulada. Nos grupos as duas coisas se misturam desde as primeiras horas.
Mesmo que uma nova diretiva circule amanhã, sete meses de pausa não desaparecem. Reagendamentos, reentrevistas, devolução de casos negados «só pela lista». A fila não se dissolve com uma notícia viral. Melhor esperar o e-mail do seu case number e a página do consulado, não um print de Telegram.
Afeta quem já está na fila de immigrant visa dos 75 países: family-based, employment-based, parte das linhas humanitárias. Afeta quem foi negado e na negativa só figurava esta pausa. Afeta patrocinadores nos EUA que meses viram o status «não podemos concluir porque a lista proíbe».
Turistas, estudantes e a maioria das viagens de negócios não mudam com essa decisão. A pausa de janeiro não cobriu nonimmigrant visa. Se alguém prepara B-1/B-2 ou F-1, 21 de agosto não mexeu na fila: ali há outros formulários, outro DS-160 e outras negativas sob 214(b).
Não afeta quem recebe negativas por outras bases legais: antecedentes, documentos falsos, dinheiro não demonstrado, medical reprovado, vínculo fraco com patrocinador. O tribunal não disse «sim para todos». Disse: não se pode negar em bloco por nacionalidade.
Para solicitantes do Brasil, Colômbia, Haiti e Guatemala o sentido prático é este. O teto jurídico «seu país está na stop-list, conversa encerrada» o tribunal removeu. O teto consular continua. Mais a logística de cada consulado: documentos, agendamento em São Paulo ou Brasília e o inglês da entrevista. Isso não cancela o contexto de requisitos migratórios nos EUA nem substitui outros filtros de negativa.
O tribunal não promete que os EUA «voltam a deixar todos entrar» - só que a negativa em bloco por nacionalidade é ilegal. Vargas devolveu o procedimento, não o resultado. Case-by-case review significa: o oficial pode dizer «sim» a alguém da lista. E pode dizer «não» se o processo é fraco.
Public charge não desapareceu. Desapareceu a substituição: quando até solvência demonstrada não salvava porque a diretiva mandava negar. Volta a pergunta aos papéis: de onde vem o dinheiro, quem patrocina, qual emprego, se há I-864. Na entrevista importa como soa I can support myself without public benefits - não como frase decorada, mas como resposta coerente.
Consular processing não acelera com mensagem no Telegram. Reagendar, reapresentar, pedir revisão de negativa é burocracia comum. Enquanto recurso é possível, instruções aos consulados podem mudar outra vez. Olhe o que seu consulado publica e o que chega ao seu case number.
Na Antishkola desmontamos essas notícias em aula: não o diálogo de livro «my name is Ivan», mas frases de negativas, diretivas e entrevistas. Primeira aula com nativo grátis.
Reserve sua aula grátis →Não é um «dicionário para o TOEFL». São palavras da diretiva, da negativa e da decisão de Vargas. Se você confunde, a notícia judicial parece carimbo no bolso. Toque a carta para ver a frase em contexto.
Somam-se dois matizes do dia a dia. Green card é o status de residente permanente, não o visto em si. Visa bulletin é a tabela de filas; sozinho não antecipa a entrevista. O tribunal devolveu análise caso a caso: na entrevista voltam can you support yourself, who is your petitioner, have you ever received public benefits - ao vivo, com o oficial. Você pode praticar no treinador de inglês para morar nos EUA, não em lugar de advogado, mas para não travar em perguntas sobre dinheiro, trabalho e patrocinador.
O tribunal devolveu o direito de ser ouvido como pessoa, não como linha de lista. Voltam documentos, fila e o idioma da entrevista. Se o Departamento de Justiça recorrer, a instrução aos consulados pode mudar outra vez. Guarde sua decisão, data de negativa e formulação, e não jogue o processo fora «porque na internet disseram que já todos podem».
Prepare respostas seguras para 50 situações reais da vida nos Estados Unidos (aluguel de imóvel, abertura de conta no Chase/BoA, seguro saúde, trabalho e família) com pronúncia autêntica em HD, modelos de tradução juramentada e gerador interativo de cartas.